Como escolher o repertório para o momento de louvor? Uma palavra aos líderes de ministérios



"Cantai ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR toda a terra.
Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia.
Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas.
Porque grande é o Senhor, e digno de louvor, mais temível do que todos os deuses."


Escolher uma música para o período de louvor na igreja parece ser uma tarefa simples, mas que na realidade exige extremo cuidado. Segundo Lutero, a música deve ser um sermão cantado, e convenhamos, a maioria das canções disponíveis no mercado gospel não prega outra coisa, senão a deificação do homem e sua soberania sobre Deus e todos, além do encorajamento a práticas pecaminosas como a falta de perdão e desejo de vingança. Por estes motivos, advogo que deveria ser do pastor - o responsável pela doutrina da igreja - a tarefa de escolher as canções ou, no mínimo, aprovar ou não determinada música, de acordo com a letra, ritmo e função congregacional.

E por quê "função congregacional"? A resposta é simples. O ministério de louvor de uma igreja tem uma função que já está expressa em seu nome: servir à congregação no louvor e adoração durante o culto. Através das músicas cantadas, os responsáveis por este momento auxiliam a igreja local a cantar e expressar seus sentimentos em forma de canção. Eles não são o alvo final do momento, mas "canais" pelos quais o coração do crente se inspirará a relembrar atributos de Deus e expressar seu prazer em servir ao Senhor que por Si só é belo, perfeito e glorioso. As músicas escolhidas, portanto, devem cantar sobre Deus exclusivamente, afinal de contas, é para Ele que prestamos culto. É Sua santidade, amor, justiça, misericórdia e graça que devem dar a tônica do louvor. Ele precisa ser o personagem principal da canção. Na maioria dos louvores, vemos um "deus" que serve para fazer as coisas para 'mim' e não o Deus que é Todo-Poderoso e Soberano, ao qual nos curvamos em admiração e submissão; nem mesmo tem-se cantado sobre o Seu Filho e o que Ele fez na cruz do calvário - razão de podermos nos reunir para cultuar. Isto é preocupante!

Falando nisso, é impossível não denotarmos a preocupação com o cenário atual de verdadeiros shows, superministérios de louvor e o protagonismo que tem havido em torno do momento de cânticos, onde a própria exposição da Palavra tem ficado cada vez mais escanteada, sendo resumida a quinze ou vinte minutos, a depender do tempo que sobra das milhares de músicas e ministrações (mini-pregações feitas na maioria das vezes, por alguém despreparado, que imita o que ouviu do cantor no CD), que levam a noite inteira, em grande parte das congregações. Reunimo-nos sim, para cantar, orar e ler as Escrituras (Colossenses 3.16), mas também para meditarmos na exposição da Palavra, e esta última parte precisa ter, no mínimo, metade do tempo destinado ao culto, se não mais. Ademais, é preciso lembrar que os membros do louvor são membros da igreja, e devem servir os irmãos com músicas que a congregação pode cantar, para que a função do ministério seja cumprida: levar o povo a adorar ao seu Deus. O que ouvimos hoje são músicas cada vez mais egocêntricas, cantadas na primeira pessoa do singular. Perdeu-se o censo comunitário que relembrava aos irmãos de que eles não estavam sós, mas que eram uma igreja reunida em reverência ao Cabeça. Assim sendo, em vez de grandes interpretações, cheias de melismas e vocalizes - não abstendo-se da beleza da música, óbvio! - deve-se pensar na facilidade que os irmãos terão para cantar e não somente assistir a performance do "show". Há de ser destacado também o fato de que instrumentistas e cantores não são superiores ou mais importantes que qualquer outro membro da comunidade local e, por conseguinte, são passíveis da mesma disciplina dos outros irmãos, principalmente no tocante a presença nos cultos e permanência e comportamento nas dependências da igreja em outros períodos que não o dos cânticos. É absurdo ter de falar sobre coisas assim, mas é preciso nestes tempos de costumes estranhos.

Enfim, muitos querem e falam na necessidade de uma reforma em nossas igrejas, e creio piamente nesta possibilidade. Ela deve começar por cada crente desejoso em causar impacto e trazer seus irmãos de volta a centralidade do Evangelho. Assim, desde o pastor, ministério de adoração e até a zeladoria da igreja precisam ser reformados, transformados e levados a abandonar toda prática antibíblica, a fim de que toda comunidade de fé glorifique ao Senhor com suas vozes e também com suas vidas. Voltemos à reverência, analisemos as músicas, cantemos para Deus! Que Deus o capacite nesta grande missão! 

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A Deus seja a glória! 
Pr. Luan Almeida


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